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Sapucaia do Sul, RS, Brazil
Militante do Partido dos Trabalhadores desde 1993, membro do Diretório Municipal de Sapucaia do Sul desde 1995, Ocupou o Cargo de Diretor Geral de Relações Comunitárias na Administração Popular do PT de Sapucaia do Sul de 2009 a 2016 responsável pelo Orçamento Participativo. Ocupou cargo na Executiva do PT Secretário de Comunicação de 2007 a 2009. Criou o Jornal dos Trabalhadores, o Informativo Militante e o semanário Informes PT. De 2005 a 2007 foi Secretário de Organização período em que funcionaram 13 regionais do PT de Sapucaia e as setoriais de Juventude, Mulheres, Sindical, Educação, Comunitária. Militante da CMP e do Movimento Comunitário. Também foi Assessor nos mandatos do Vereador Bilião, da Vereadora Iara Bernardo e do Vereador Vilmar Ballin. No mandato do Vereador Ballin foi Assessor de Comunicação por dois anos e de relações comunitárias por um ano. Nelson Che também é militante do Movimento pela Reforma Política. Defende o Voto em lista fechada, a fidelidade Partidária, Fim do função revisora do Senado Federal, igualdade nos votos em todos os Estados para Deputados Federais.

domingo, 12 de março de 2017

1917, AS MULHERES DA REVOLUÇÃO

          Em 8 de março de 1917, 23 de fevereiro do calendário russo de então, 90 mil trabalhadoras têxteis de Petrogrado, Rússia, entraram em greve, pedindo ‘Pão para os nossos filhos’ e ‘Retorno dos nossos Maridos das Trincheiras’, em meio a e por causa de uma grave crise política, econômica e social, durante a Primeira Guerra Mundial. Nas cidades reinavam a fome e a miséria. Milhões morriam ou eram feridos nos campos de batalha. A greve das operárias foi o estopim da Revolução de 1917. “As bandeiras vermelhas voltaram a tremular nos bairros populares. Foram recriados os soviets de operários e soldados. Era o fim daquele regime opressivo e secular, que cairia dentro de alguns dias” (Augusto C. Buonicore, As Mulheres e a Revolução Russa, www.altamiroborges.blogspot.com, 07.03.17).
          A revolucionária comunista russa Alexandra Kollontai escreveu: “O Dia Internacional das Mulheres de 1917 tornou-se memorável na história. Nesse dia as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo mundo. A revolução de fevereiro se iniciou a partir deste dia.”
Até 1921, cada país celebrava o dia das mulheres em datas diferentes. A unificação deu-se em 1921, à luz da greve das operárias têxteis de Petrogrado de 1917. Segundo Ana Isabel González, “foi para relembrar a ação das mulheres na história da Revolução Russa que o Dia Internacional das Mulheres passou a ser comemorado de forma unificada no dia 8 de março. A decisão da unificação foi tomada na Conferência de Mulheres Comunistas, coincidindo com o Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou em 1921”.
Escreveu Lenin no jornal Pravda, em 8 de março de 1921: “A metade feminina da raça humana é duplamente oprimida pelo capitalismo. A operária e a camponesa são oprimidas pelo capital, mas primeiro, e acima de tudo, inclusive na mais democrática república burguesa, permanecem, primeiramente, privadas de alguns direitos, porque as leis não lhes concedem igualdade com os homens; e, em segundo lugar, - e este é o aspecto mais importante – permanecem escravas do trabalho doméstico. Continuam sendo escravas do trabalho doméstico porque são sobrecarregadas com a monotonia do mais mesquinho, duro e degradante trabalho na cozinha e nas tarefas domésticas familiares.” (O presidente golpista Michel Temer contradisse Lenin, dizendo que o papel da mulher é exatamente esse: ser ‘do lar’, ver os preços no súper e cuidar dos filhos. E o fez no Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 2017, cem anos depois da Revolução Russa.)
As mulheres russas conquistaram o direito ao voto poucos meses depois, em julho de 1921, (para efeito de comparação: as mulheres brasileiras começaram a votar em 1932), seguidas pelas alemãs, austríacas, inglesas. A revolução russa impulsionou fortemente as conquistas políticas. Segundo Lenin, “esse é só um passo na libertação das mulheres. Mas nenhuma das repúblicas burguesas, incluindo as mais democráticas, se atreveu a dar o primeiro passo”.
As palavras, e a constatação, de Lenin são de 1921. A Revolução russa completa 100 anos em 2017. E, em boa parte, o quadro então descrito por Lenin pode ser descrito hoje no Brasil e no mundo com as mesmas palavras. A realidade continua praticamente igual.
Em alguns casos, a realidade ainda é pior ou pode piorar. Em 8 de março de 2017, milhares de mulheres (e homens) brasileiras foram às ruas para protestar e exigir direitos, igualdade. Diziam panfletos distribuídos em Porto Alegre: NENHUM DIREITO A MENOS. PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES. Machistômetro: o Machismo está em pequenas e grandes atitudes. Começa com piadas ofensivas, chantagear; passa por xingar, destruir bens pessoais, machucar, dar tapas; e termina por causar lesão corporal, mutilar e MATAR.
O Brasil está em quinto lugar no ranking de assassinatos contra mulheres. 2,9 milhões de brasileiras já sofreram alguma violência de gênero na Universidade. 13 é a média de mulheres assassinadas por dia no Brasil. 50,3% desses assassinatos foram crimes cometidos por conhecidos das vítimas. O mercado de trabalho é muito desigual entre homens e mulheres. 20,2% é a diferença de rendimento das mulheres em relação aos homens. 36,6% é a proporção de mulheres no mercado de trabalho. Os homens são ainda maioria, ocupando 63,4% dos empregos. Embora esses números venham melhorando, um relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial mostra que, mantido o ritmo atual, somente em 2095 vai-se atingir globalmente um nível de paridade justo em termos econômicos e de oportunidades entre homens e mulheres.
Novas ameaças estão, não no horizonte, mas na porta. A Reforma da Previdência e Trabalhista do governo golpista vai acabar com direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores.
Os desafios de 1917, da Revolução Russa, continuam colocados no Brasil e no mundo em 2017. As operárias têxteis de Petrogrado, contudo, não lutaram em vão. Muitos direitos foram conquistados nestes 100 anos: direito ao estudo; ao trabalho remunerado, ao voto, aposentadoria, licença maternidade remunerada, documentação para as mulheres do campo, direito ao divórcio, e assim por diante.
A sempre presidenta Dilma Rousseff disse no dia 8 de março de 2017: “Todos os avanços foram conquistados com esforço, coragem e determinação. As mulheres sabem que a democracia é o lado certo da história”. Segundo Dilma, o governo Temer está desarticulando e fragilizando políticas de proteção à mulher. Os anúncios e conquistas da Revolução Russa – democracia, pão, trabalho, direitos – estão longe de estarem realizados, especialmente no Brasil, onde uma elite corrupta, antidemocrática e antinacionalista historicamente negou direitos e igualdade.
A luta das mulheres (e dos homens) continua. Novas, muitas e profundas Revoluções precisam e vão acontecer.
Selvino Heck
Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)

Em dez de março de dois mil e dezessete

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