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Sapucaia do Sul, RS, Brazil
Militante do Partido dos Trabalhadores desde 1993, membro do Diretório Municipal de Sapucaia do Sul desde 1995, Ocupou o Cargo de Diretor Geral de Relações Comunitárias na Administração Popular do PT de Sapucaia do Sul de 2009 a 2016 responsável pelo Orçamento Participativo. Ocupou cargo na Executiva do PT Secretário de Comunicação de 2007 a 2009. Criou o Jornal dos Trabalhadores, o Informativo Militante e o semanário Informes PT. De 2005 a 2007 foi Secretário de Organização período em que funcionaram 13 regionais do PT de Sapucaia e as setoriais de Juventude, Mulheres, Sindical, Educação, Comunitária. Militante da CMP e do Movimento Comunitário. Também foi Assessor nos mandatos do Vereador Bilião, da Vereadora Iara Bernardo e do Vereador Vilmar Ballin. No mandato do Vereador Ballin foi Assessor de Comunicação por dois anos e de relações comunitárias por um ano. Nelson Che também é militante do Movimento pela Reforma Política. Defende o Voto em lista fechada, a fidelidade Partidária, Fim do função revisora do Senado Federal, igualdade nos votos em todos os Estados para Deputados Federais.

quarta-feira, 8 de março de 2017

DEU PRA TI BAIXO ASTRAL


“Algo está mudando lá na ponta. O povo está começando a se dar conta do que está acontecendo no Brasil”, diz Frei Sérgio Görgen em conversa na Romaria da Terra, terça de carnaval, no Assentamento da Fazenda Annoni em Pontão, Rio Grande do Sul. Ele, frei Sérgio, e os militantes do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) estão percorrendo casa por casa, município por município do Rio Grande, com Assembleias finais, para explicar a Reforma da Previdência, e me convidou para participar em algum momento.
O carnaval foi invadido pelo Fora Temer. Até a Globo não pôde omitir a verdade e a informação. Aliás, tal como fez nas Diretas-Já nos anos 1980. Quando as Diretas já tinham invadido a sociedade, grandes comícios aconteciam em todo Brasil, a Globo foi ‘obrigada’ a informar uma das maiores mobilizações sociais já vistas no Brasil. Agora, 2017, mesmo que no último dia de carnaval (numa estratégia de mídia para não haver aumento das manifestações), a notícia apareceu: em todas as capitais e muitas cidades, em muitos blocos de carnaval, em apresentações de Caetano Veloso e Bete Carvalho, o grito de Fora Temer explodiu e sacudiu as avenidas, numa resposta popular e espontânea ao governo golpista, aos seus desmandos e ameaças à democracia.
Na Romaria da Terra não foi diferente. No final da celebração, mas que ainda não terminara, depois da fala do bispo, de repente ecoou um sonoro e espontâneo Fora Temer debaixo das árvores da Annnoni entre os milhares de participantes.
Poderia dar muitos outros exemplos de que algo está mudando na base popular, como chamou a atenção Frei Sérgio. O Fórum Social das Resistências, acontecido em Porto Alegre em janeiro: muita juventude, participação cheia de energia e sonhos, muito Fora Temer. As greves, algumas vitoriosas, como a dos municipários de Florianópolis, depois de mais de um mês de paralisação; a mobilização geral de professores de Porto Alegre contra Decreto autoritário do prefeito Marchezan; as mobilizações que estão crescendo contra a Reforma da Previdência, de agricultores familiares e outros atores sociais, e a criação do Comitê Gaúcho contra a PEC da Previdência, reunindo todas as forças políticas e organizações sociais contra a perda de direitos do povo trabalhador.
As mobilizações das mulheres para dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, estão se desenhando com muita força e participação: luta contra a reforma da previdência e nenhum direito a menos: ‘A Resistência das Mulheres em seus Territórios’.
Ou seja, não está tudo dominado, como às vezes parecia.
O que fazer? Fazer como o MPA, por exemplo: visita casa por casa, família por família, Assembleias municipais para explicar as Reformas antidemocráticas e anti-classe trabalhadora. Aproveitar a Campanha da Fraternidade, que tem como tema ‘Fraternidade: Biomas brasileiros e Defesa da Vida’ e como lema ‘Cultivar e guardar a Criação’, afirmando os direitos dos pobres e trabalhadores a uma vida digna e saudável.
João Pedro Stédile, dirigente do MST, falando às romeiras e romeiros na Romaria da Terra, e fazendo uma análise do momento político - a corrupção das elites que vem de muito tempo e seu pouco apreço à democracia ao longo da história -, econômico - a venda de terras a estrangeiros, as privatizações, a desnacionalização das riquezas -, social – a perda de direitos, o fim de políticas sociais, o aumento do desemprego, a desigualdade -, cultural – a violência, a perda de valores –, disse que duas coisas são fundamentais nesta conjuntura, coisas que ‘o povo das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) sempre fez ao longo da história, segundo ele: formação política e muito trabalho de base.
Por isso, deu pra ti baixo astral. A virada está acontecendo ou por acontecer? Longe disso. Há uma longa jornada pela frente. As elites brasileiras, vendilhonas, antinacionais, antidemocráticas, nunca deram nada de graça ou por livre opção, nem mesmo o fim da vergonhosa escravidão.
A mobilização social e a conscientização são a melhor senão a única arma e instrumento que as classes trabalhadoras têm em suas mãos e sob seu controle. E elas estão acontecendo em 2017, cada vez com mais tambores, com mais greves, com caminhadas na rua, com protestos. A base popular pode estar acordando, mais uma vez. E vão continuar.
Selvino Heck
Deputado estadual Constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)
Em três de março de dois mil e dezessete


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