Acho que com vocês, leitores deste artigo, não é
diferente. Há dias que parecem anos. Ou, mesmo, SÃO anos, a não
acabar, a se perpetuar.
Há muitos ao longo do tempo e da história. E não
é preciso recuar muito.
- As greves do ABC e dos bancários, final da década de 1970, início dos 80, surgimento de Lula e Olívio como grandes e principais lideranças. Metalúrgicos e bancários incendiaram o Brasil de Norte a Sul. Comitês e Fundos de Greve pipocaram por todo país, greves locais começaram a acontecer, a conscientização e organização da classe trabalhadora em rápida ascensão.
- Diretas-Já, 1983/84, apesar da Globo não noticiar os comícios-monstro e a Folha de São Paulo noticiar em 25 de janeiro que o ato em São Paulo era pelo aniversário da cidade e não um comício exigindo eleições diretas para presidente.
- Constituinte federal e estaduais– 1987/1989 -, na esteira das Diretas-Já, embora, infelizmente, não exclusiva, mas mobilizando movimentos sociais, igrejas e pastorais, redemocratizando o país com a Constituição Cidadã, agora está sendo rasgada pelo governo golpista de Michel Temer, que, por sinal, foi constituinte federal.
- Eleição de Olívio e Tarso em Porto Alegre – 1988 –, Erundina em São Paulo capital, o surgimento do Orçamento Participativo, governos populares de fato pela primeira vez na história brasileira.
- Impeachment Collor – 1992 -, a deposição de um presidente que só foi eleito porque a Rede Globo manipulou debates, a grande mídia e o grande capital dizendo que iram embora do Brasil se Lula ganhasse as eleições em 1989.
- Fórum Social Mundial – 2001 –, em Porto Alegre e Rio Grande do Sul, capital e Estado do Orçamento Participativo, no sonho de ‘um outro mundo possível’, urgente e necessário.
- A primavera latino-americana – anos 2000 -, num continente historicamente quintal americano e das grandes potências, governos populares, progressistas e democráticos espraiados, primeira vez em séculos de dominação.
- Eleição Lula – 2002 -, finalmente, depois de 4 eleições e muita luta e mobilização: Fome Zero, soberania, BRICS, MERCOSUL, CELAC, Brasil voz e ator mundial.
Foram lutas, mobilizações de massa em momentos
diferentes da história por motivos diferentes, mas sempre tiveram
povo e sempre foram a favor da democracia. Povo trabalhador lutando
por ar para respirar, por direitos, por futuro, por esperança.
Agora, 2017, quem sabe do Brasil e da América
Latina? Este continente de coronéis, de donos, pretensos às vezes,
reais quase sempre, das vozes e vontades dos de baixo, que nunca
deixaram a liberdade crescer, a soberania, a autonomia, o livre
pensar, a democracia, querendo e reocupando seu espaço secular.
Esta
quadra da história brasileira e latino-americana, de retorno do
neoliberalismo, de ditaduras e golpes, vai passar, como passou a
escravidão, como passaram as diferentes formas de ditadura, como
passou o neoliberalismo dos anos 1990, e que agora teima em retornar.
São
dias, são anos, são décadas, são séculos. A vida e a democracia
haverão de vencer. A vez e a voz do povo trabalhador sempre chegará
de novo na base, na luta, na conscientização da educação popular,
das greves, das marchas, dos comícios, das ocupações, das
mobilizações, das caminhadas, das Romarias, dos braços cruzados,
dos jejuns, dos acampamentos, das passeatas.
O
que vem por aí? Não sei. Mas sem luta e sem povo na rua nada
acontecerá. Agora é a Greve Geral. Agora é Lula em Rio Grande em
defesa do Pólo Naval, da indústria nacional e dos trabalhadores.
Agora é o Primeiro de Maio e suas mobilizações Brasil afora. É a
mobilização no Paraná dia 3, ou dia 10, ou qualquer dia em que o
pior poder, o Poder Judiciário, o Sistema de Justiça como um todo,
resolver marcar o depoimento de Lula. E assim será maio, será
junho, será o ano inteiro, sem parar.
A ditadura foi derrotada. O neoliberalismo foi
derrotado. Os golpistas atuais também serão derrotados. Os dias se
fazem anos, décadas, séculos.
POR DIREITOS E DEMOCRACIA, A LUTA É TODO DIA!
Selvino Heck
Deputado estadual constituinte (1987-1990)
Em vinte e oito de abril de dois mil e dezessete
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