Donald Trump fechou outra vez
a porta à comunidade hispânica dos Estados Unidos, a primeira
minoria do país. Além de não ter nenhum hispânico em seu
gabinete, o que não acontecia há quase 30 anos, a nova equipe da
Casa Branca fechou as contas em espanhol que o Governo tinha nas
redes sociais. Até o momento, também não possui um interlocutor
direto para assuntos relativos aos hispânicos, como havia na
Administração Obama. A Casa Branca já é somente a White House.
Silvia
Ayuso,
publicada
por El País, 22-01-2017.
Ao meio-dia da sexta-feira, dia 20, enquanto o recém-empossado Trump
fazia seu discurso inaugural, a nova Casa Branca mudava de mãos
rapidamente, analógica e digitalmente. A conta do Twitter do
presidente Obama passou a ser a de Trump e o mesmo aconteceu com o
site da Casa Branca, que rapidamente colocou na primeira página uma
foto do novo presidente. Mas essa não foi a única mudança. Além
de variar e reduzir substancialmente os links para os “assuntos”
do novo Governo – temas destacados no site de Obama como a política
sobre mudança climática, Cuba ou o acordo nuclear com o Irã foram
eliminados –, outro botão desapareceu: “Em espanhol”.
Esse link levava ao site em espanhol da presidência, no qual, além
dos assuntos da página principal em inglês, eram destacados os
interesses especiais da comunidade hispânica como as ações
executivas de Obama para regularizar temporariamente centenas de
milhares de jovens sem documentos, o programa de ação diferida
conhecido como DACA.
Durante os dois mandatos de Obama, a Casa Branca também manteve um
blog em espanhol com assuntos de interesse específico para a
comunidade hispânica, como questões relacionadas com a imigração,
a normalização das relações com Cuba ou a crise econômica de
Porto Rico.
Apesar da clara preferência do novo presidente pelo Twitter como
meio de comunicação – além de sua nova conta oficial ele
continua a manter e utilizar sua particular –, a versão em
espanhol da conta da Casa Branca também foi paralisada. O último
tuíte em espanhol é de 13 de janeiro, quando a conta ainda estava
nas mãos de Obama.
Também não há, até o momento, como houve durante a era Obama, um
porta-voz especificamente dedicado aos meios de comunicação em
espanhol e às questões de interesse dos hispânicos.
Que os hispânicos não são uma prioridade para o novo presidente
ficou claro durante a longa campanha eleitoral, na qual demonizou os
imigrantes latino-americanos e colocou contra a parede o principal
país de origem da comunidade hispânica dos EUA, o México. A única
expressão em espanhol usada pelo então candidato republicano foi o
depreciativo bad hombres com a qual se referiu, durante o último
debate presidencial com a democrata Hillary Clinton, aos imigrantes
“ilegais perigosos” que prometeu deportar.
Trump também criticou um de seus adversários, Jeb Bush, por falar
espanhol durante a campanha.
“Temos um país onde, se você deseja se integrar, tem de falar
inglês. Precisamos que haja integração para ter um país. Não sou
o primeiro a dizer isso. Este é um país onde se fala inglês, não
espanhol”, disse durante um debate republicano em setembro de 2015.
Um longo ano e uma vitória eleitoral depois, não parece que Trump
tenha mudado de opinião.
Fonte :
Instituto Humanitas Unisinos

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