Jeferson Miola
25 de janeiro de 2017.
A posição da maioria do PT, tolerante com a possibilidade de acordo
com os golpistas para a eleição do Congresso, despertou a ira
militante e provocou uma insurgência no Partido.
Apenas
divulgada a resolução do Diretório Nacional de 13/01, a questão
se tornou onipresente nas discussões – presenciais e nas redes –
entre filiados, militantes e simpatizantes. E também mobilizou, com
surpreendente apelo, inclusive militantes progressistas e da esquerda
social e não-partidária.
Um
sentimento de indignação e revolta sacudiu filiados, simpatizantes
e amigos do PT, desencadeando uma reação ruidosa para desviar o
Partido da marcha da insensatez e, assim, impedi-lo de cometer o que
a historiadora Barbara Tuchman chamaria loucura política.
Como
justificar, enfim, a aliança com os golpistas que derrubaram a
Presidente Dilma, os assassinos do Estado de Direito e da democracia,
mesmo sabendo que esta escolha não teria absolutamente nenhuma
eficácia para deter a evolução do golpe, o aprofundamento do
regime de exceção, a restauração ultra-neoliberal e a regressão
das conquistas sociais?
É
um erro gravíssimo, com prejuízos simbólicos irreparáveis. Mas é,
ao mesmo tempo, a culminância da política desastrosa e
contraproducente que dirige e comanda o PT há muitos anos; é, em
síntese, sintoma da falência completa da direção partidária.
No
último período, a tibieza da direção foi testemunhada de modo
especial. Com inapetência política e incapacidade dirigente, o PT
não conseguiu disputar e oferecer rumos corretos para o governo
Dilma, para evitar os equívocos finalmente cometidos pelo governo e
que acabaram por debilitá-lo durante a conspiração oligárquica
liderada por Cunha e Temer.
Na
luta contra a fraude do impeachment, não fosse o destemor e a
combatividade dos parlamentes petistas, o Partido não seria notado,
devido ao acanhamento e falta de atrevimento político da direção,
que o fez coadjuvante da extraordinária resistência democrática
que tomou as ruas do país.
A
rebelião militante significa, por isso, a recusa desse comando
partidário que, se mantido, acabará levando o PT à autodestruição,
à perda de militância orgânica, de apoio social e de identidade
popular; poderá levá-lo a uma derrota transcendente.
A
erupção que chacoalha o PT indica a impaciência da base partidária
com a direção: ou o PT muda e se renova, ou não conseguirá evitar
a diáspora de filiados, militantes e parlamentares.
O
PT está diante de uma grande oportunidade de se reconciliar com sua
trajetória original; uma oportunidade de renascer a partir do
reencontro com os valores que são a razão da sua existência: a
ética política, a independência de classe, a democracia, o
anticapitalismo, o feminismo, o antirracismo, o compromisso com a
emancipação dos subalternos e com a construção de um Brasil
igualitário e soberano.
A
rebelião militante demonstra a vitalidade partidária que sobrevive
à tentativa fascista de extermínio da “raça petista” e,
sobretudo, traduz a crença dos petistas na pertinência histórica
do PT.
Para
corresponder a esta aspiração da sua base, o PT precisa mudar,
urgentemente. Esta é a chance do renascimento do PT. Muda PT!

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