Selvino
Heck
13
de janeiro 2017
“Estão
aí os quatro desafios colocados, 27 anos depois: atualizar a utopia
do socialismo democrático; afirmar o partido ao mesmo tempo
movimento e instituição como projeto de transformação; refazê-lo
no campo ético, onde meios e fins devem estar a serviço da
liberdade e da democracia (os fins não justificam os meios;
construir um partido plural com unidade de ação em torno de um
programa democrático-popular na perspectiva do socialismo
democrático através do debate interno e com a sociedade. Este é o
caminho, não tem outro, 27 anos depois do 10 de fevereiro de 1980.”
O
artigo, cujo parágrafo final está acima, foi escrito em fevereiro
de 2007, por ocasião do aniversário dos 27 anos do Partido dos
Trabalhadores. Agora, 2017, o PT está por completar 37 anos e está
em Congresso, a realizar-se durante o primeiro semestre. A urgência
do proposto há dez anos é ainda maior que então. Por isso, surgiu
o ‘Movimento o petismo é maior’ (Maiores informações e
contatos estão em página no facebook com este nome).
Diz
um texto do Movimento: “O petismo é maior que o próprio PT. É
uma cultura política de esquerda, que valoriza o compromisso
militante e está profundamente comprometida com as principais causas
da classe trabalhadora brasileira, a democracia e os sonhos de
emancipação, inclusão e participação. Para nós, o PT é
fundamental. É a mais importante ferramenta de organização e de
luta construída pela classe trabalhadora. Temos acordo de que o PT
vive uma crise muito grave, a maior de sua história. Nós queremos
reconstruir o PT, mas pela base, com a participação de todas e
todos que acreditam no partido: filiados, simpatizantes,
intelectuais, trabalhadores. Pela base, isso é o que nos une. Para
nós, militantes de diferentes origens e experiências, a tarefas d@s
petistas, neste momento histórico, é a de assumir a
responsabilidade de reconstruir um PT profundamente democrático,
socialista, de massas e de lutas. Pensamos que o PT precisa fazer um
profundo balanço dos 37 anos de história, sobretudo das
experiências na institucionalidade e nos movimentos sociais, de
atualização do programa e da estratégia.”
Em
Caderno de outubro de 1989, escrevemos: “Os diversos movimentos
populares são também sujeitos coletivos fundamentais antes, durante
e depois da consolidação da hegemonia socialista. O PT, enquanto um
partido socialista democrático, deve cada vez mais se capacitar para
ser um dos sujeitos fundamentais (não o único) capaz de globalizar
e educar as diversas forças políticas e populares na consolidação
de uma realização humana democrática, superior a qualquer
alternativa reformadora do capitalismo.” E o alerta: “O PT
precisa também instaurar a questão da ética na política, através
de princípios mediados por uma práxis política e social contrária
a posturas oportunistas e instrumentalistas que justifiquem o uso de
quaisquer meios para a realização de fins pré-concebidos”
(Selvino Heck, Hildemar Rech, Gilson Lima, Partido, um enfoque
contemporâneo).
Em
abril de 1990, eu escrevia: “Sem dúvida, não é fácil construir
um partido político. Ainda mais no Brasil, onde há escassa tradição
de participação política, onde as elites sempre tiveram medo da
democracia e sempre tiveram como regras básicas de sua prática o
mandonismo, a corrupção, a demagogia, o assistencialismo e o
populismo. Há um longo caminho a percorrer até que a classe
trabalhadora recupere sua própria dignidade, reconheça-se como
classe trabalhadora e construa um partido político com prática
democrática, com participação de massas, com programa socialista
incorporado por milhões de trabalhadores. A crítica mútua, a
autocrítica permanente são essenciais para que o PT mantenha sua
trajetória ascendente e a confiança já merecida da classe
trabalhadora e da população como um todo” (Selvino Heck,
Elementos para uma ética petista).
Instituições
podem amadurecer com o tempo, como podem perder-se na burocracia. Mas
sempre têm condição de fazer autocrítica e retornar ao bom
caminho. O ‘Movimento o petismo é maior’ quer somar-se ao
esforço de, no sexto Congresso e para além dele, construir um
partido enraizado e em diálogo com os movimentos sociais e as lutas
populares, que empodere a militância e as instâncias de base
através de uma dinâmica interna horizontal, politizada,
participativa e radicalmente democrática, transparente em relação
às finanças partidárias, sem aparelhismos e sem decisões
restritas às cúpulas. Um partido capaz de assegurar instrumentos
para um permanente diálogo com os setores progressistas da sociedade
e com o conjunto das forças políticas de esquerda, bem como um
diálogo com as lutas das juventudes, e ampliando as relações com
os movimentos sociais e com as lutas populares.
ma
tarefa e tanto para 2017, o sexto Congresso e o próximo período, em
tempos difíceis e de governos golpistas e conservadores. Estão
convidad@s tod@s aquel@s que acreditam no instrumento partidário, no
caso o PT, como espaço fundamental para a transformação, quanto @s
que acreditam que um outro mundo, e um outro Brasil, é possível,
urgente e necessário.
Selvino
Heck
Deputado
estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)
Ex-presidente
do PT/RS
Em
treze de janeiro de dois mil e dezessete
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