REFORMA
DA PREVIDÊNCIA: PÓLO DE RESISTÊNCIA E MOBILIZAÇÃO
Selvino Heck
Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)
Depois
de tudo que aconteceu no carnaval, com seus múltiplos recados – a dignidade de
Lula no velório do neto Arthur, as boçalidades do Presidente da República, a
vitória da Mangueira falando de Marias e Marielles -, março chegou, 2019 começa
pra valer no dito popular. A pergunta de muitos na Romaria da Terra,
terça-feira de carnaval, em Itacurubi, RS, era: Para onde vamos? Para onde vai
o Brasil? Que será do povo brasileiro? Como vamos sair dessa? Vai melhorar ou
piorar? ‘Ele’ se sustenta?
Em
apenas dois meses de 2019, muita coisa já aconteceu: lançamento da Campanha da
Fraternidade/2019 falando de políticas públicas, Romaria da Terra no
Assentamento Conquista da Luta em Itacurubi, RS, com o tema ‘Alimentação
saudável’, 8 de março e as mulheres na rua, um BANQUETAÇO contra a extinção do
Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), a dor da morte
de Arthur e o grito de Lula Livre, e mil outras coisas nestes tempos
conturbados e imprevisíveis.
Está
sendo cada vez mais urgente e necessário algo como uma Diretas Já, de uma
Constituinte livre e soberana, da energia das eleições de1989, lutas e
mobilizações unificadoras dos anos 1980. Podem/devem ser a luta e mobilização
contra a Reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro e seus aliados
do grande capital e da mídia.
Não
por acaso Rede Globo e Cia. Ltda. falam o dia inteiro e o tempo todo da
necessidade e urgência da Reforma da Previdência. Seria/será a salvação da
lavoura e da pátria na ótica deles, não na ótica do povo trabalhador. Dizem
que, sem a Reforma da Previdência, o Brasil vai para o fundo do poço, não tem
crescimento econômico, aprofunda-se na crise e não tem saída. É a bandeira
principal deles, senão a única.
Se a bandeira da Reforma da Previdência é a
bandeira do lado de lá, a luta e mobilização contra a Reforma da Previdência
podem e precisam ser também a bandeira principal e unificada do lado de cá, do
campo popular e democrático.
A
luta e mobilização contra a Reforma da Previdência permitem o debate sobre os
direitos, a vida, a justiça, a igualdade. Abrem espaço para desnudar
privilégios, para o debate sobre a crise e o desemprego, a violência que
cresce, a pobreza e a fome que se aprofundam, a precarização do trabalho e do
emprego, a falta de perspectiva da juventude, a concentração de renda, os
lucros nababescos do setor financeiro, a brutal desigualdade econômica e
social, o fim das políticas públicas com participação social e popular.
A
luta e mobilização contra a Reforma da Previdência unificam: trabalhadoras e
trabalhadores, mulheres, jovens, aposentadas/os, agricultoras/as familiares e
camponesas/es, população em situação de rua, servidores públicos, importantes
setores da classe média. Só não é bandeira, felizmente, de banqueiros,
latifundiários, do grande capital, da mídia, dos jogadores da Bolsa de Valores,
os eternos donos do Brasil, que nunca distribuíram a renda, a riqueza e o
poder. E que, toda vez que isso estava no horizonte – a distribuição da renda,
da riqueza e do poder -, aplicaram golpes e instituíram ditaduras.
A
luta e a mobilização contra a Reforma da Previdência têm a capacidade de
articular todas as Frentes, os movimentos populares do campo e da cidade, o
movimento sindical, as igrejas e pastorais, as organizações de bairro, na
prática e no cotidiano: por direitos, vida digna, igualdade, justiça, articulam
a CF/2019 da Igreja católica por Fraternidade e Políticas Públicas, estimulam a
participação e o envolvimento de todas e todos, dos milhões que serão
atingidos, desnudam o poder estabelecido, tornam concreta a luta por
democracia.
A
luta e a mobilização contra a Reforma da Previdência podem/devem combinar a
luta por Lula Livre, podem/devem combinar a luta global e unificadora com as
lutas locais, abrem horizontes de esperança de que o povo trabalhador é capaz
de resistir e, além de resistir, está do lado da democracia, e quer, e luta por
um Brasil justo e uma Nação soberana.
VIVA
AS MULHERES! VIVA O DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES!
Selvino Heck
Deputado estadual constituinte do Rio Grande do
Sul (1987-1990)
Em oito de março de dois mil e dezenove
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