Para Dieese, momento é semelhante
ao vivido em 1988, agora para evitar perda de tudo o que foi
conquistado desde então
Escrito por: Rede Brasil Atual - Vitor Nuzzi
Publicado em:
10/02/2017 - 11:57
Para
o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o movimento
sindical enfrenta, com a reforma da Previdência, desafio semelhante
ao do período pré-Constituinte, em meados dos anos 1980, com uma
discussão de fundo estrutural. A representantes de nove centrais
sindicais, em encerramento de dois dias de debate sobre a Proposta de
Emenda à Constituição (PEC 287), ele afirmou que a questão,
agora, é evitar "um dos maiores desmontes institucionais e
sociais da história".
Segundo
Clemente, diante de um cenário adverso, com maioria parlamentar
pró-governo, as centrais precisam preservar sua unidade – "A
única chance de fazer o enfrentamento" – e envolver diversos
segmentos sociais, especialmente a juventude. "O projeto que
está aí não nos representa. Queremos uma reforma que dê proteção
universal aos trabalhadores. Estamos longe disso", disse o
diretor do Dieese, defendendo ainda um modelo "eficaz na
cobrança e com sonegação zero, universal e sustentável".
Entre
as centrais, há quem defenda a retirada pura e simples da PEC 287 –
e também do Projeto de Lei 6.787, de reforma trabalhista. Parte dos
dirigentes defende a apresentação de emendas. As entidades devem se
reunir na semana que vem para discutir, entre outras questões, uma
data de paralisação nacional. A CUT, por exemplo, propõe aderir à
já aprovada greve dos trabalhadores na educação, em 15 de março.
"Marcar
os traidores"
"Nós
queremos derrotar essa reforma, tanto a previdenciária como a
trabalhista. Não atinge uma categoria ou setor, mas todos os
cidadãos. Temos condição de reverter", afirmou a secretária
de Relações do Trabalho da CUT, Graça Costa. "Não cabe
sentar na mesa para retirar direitos", acrescentou. "Vamos
marcar quem trair a classe trabalhadora, quem trair o povo
brasileiro."
As
centrais planejam ainda ações nos estados, visitas às bases dos
deputados e audiências públicas em Câmaras Municipais. De certo,
já existe uma mobilização prevista para daqui a duas semanas, no
dia 22, quando representantes de todas as centrais irão ao Congresso
para conversar com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ),
e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), além de líderes
partidários e, provavelmente, integrantes da comissão especial da
Previdência na Câmara, que tem como presidente o deputado Carlos
Marun (PMDB-MS). Marun integrava a "tropa de choque" de
Eduardo Cunha, e como relator Arthur Maia (PPS-BA), responsável pelo
parecer do Projeto de Lei 4.330, de terceirização, agora tramitando
no Senado (PLC 30). Um fórum em defesa da Previdência e do Direito
do Trabalho vai formalizar um pedido de retirada dos projetos.
"O
governo que está aí, além de querer implementar o Estado mínimo,
quer tirar do Estado a responsabilidade de proteção do povo
brasileiro. É a lógica do capital financeiro", afirmou o
presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira. "Está
na nossa mão a responsabilidade de impedir essa catástrofe."
"Esse
governo veio para rasgar a CLT, destruir tudo", acrescentou o
presidente da CTB em São Paulo, Onofre Gonçalves de Jesus. O
secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o
Juruna, disse que a paralisação pode ser feita no dia 15 de março,
mas lembrou que a data depende uma decisão conjunta das centrais.
Anfitrião
do seminário, que terminou na tarde de hoje (8), o presidente do
Sindicato dos Padeiros de São Paulo, Francisco Pereira de Sousa
Filho, o Chiquinho, também secretário de Organização e Políticas
Sindicais da UGT, afirmou que o desafio é conversar com a população
sobre o conteúdo das propostas. "Até agora, o que chegou foi o
que o governo tem falado." Na avaliação das centrais, o
Executivo tenta implementar a agenda do setor empresarial.
Organizado
pelo Dieese, o seminário incluiu dirigentes e militantes de CGTB,
CSB, CSP-Conlutas, CTB, CUT, Força, Intersindical, Nova Central e
UGT.

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