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Sapucaia do Sul, RS, Brazil
Militante do Partido dos Trabalhadores desde 1993, membro do Diretório Municipal de Sapucaia do Sul desde 1995, Ocupou o Cargo de Diretor Geral de Relações Comunitárias na Administração Popular do PT de Sapucaia do Sul de 2009 a 2016 responsável pelo Orçamento Participativo. Ocupou cargo na Executiva do PT Secretário de Comunicação de 2007 a 2009. Criou o Jornal dos Trabalhadores, o Informativo Militante e o semanário Informes PT. De 2005 a 2007 foi Secretário de Organização período em que funcionaram 13 regionais do PT de Sapucaia e as setoriais de Juventude, Mulheres, Sindical, Educação, Comunitária. Militante da CMP e do Movimento Comunitário. Também foi Assessor nos mandatos do Vereador Bilião, da Vereadora Iara Bernardo e do Vereador Vilmar Ballin. No mandato do Vereador Ballin foi Assessor de Comunicação por dois anos e de relações comunitárias por um ano. Nelson Che também é militante do Movimento pela Reforma Política. Defende o Voto em lista fechada, a fidelidade Partidária, Fim do função revisora do Senado Federal, igualdade nos votos em todos os Estados para Deputados Federais.

sábado, 10 de dezembro de 2016

MENOS INSTITUIÇÃO, MAIS MOVIMENTO

Selvino Heck
Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)
Está (quase) todo mundo se perguntando, no campo popular e da esquerda: Onde foi que erramos? O crescimento da direita raivosa, a intolerância por todos os lados, a falta de projeto, a não efetivação de mudanças estruturais, a ausência de uma utopia libertária, entre outros tantas questões da conjuntura, deixam muitas perguntas no ar.
As respostas são ou podem ser múltiplas e não se restringem ao Brasil. Os problemas e dilemas são latino-americanos, mundiais e atingem indistintamente movimentos sociais, igrejas, partidos, pastorais, enfim quase todas as organizações do campo popular.
Tudo nasce como movimento. Depois, com o tempo, necessariamente se institucionaliza em algum momento e em algum grau, maior ou menor. Até na vida pessoal, familiar, comunitária. Também nas organizações sociais e na esfera política. Não existem apenas as alegrias e a felicidade do namoro. Vêm depois o noivado, o casamento, os filhos, a rotina, os hábitos arraigados, os problemas e os limites da vida.
A dificuldade ou o segredo é como manter-se movimento ao longo do tempo, mesmo passando pela necessária institucionalização. O movimento é aberto, ouve, dialoga, constrói o novo no cotidiano, permite o livre fluir das ideias, está pouco preso a amarras, regras, leis, convenções. É alegria. A instituição carrega consigo limites, estruturas mais ou menos pesadas, muitas vezes se fecha, é pouco permeável, enreda-se na burocracia, engessa o pensamento, vira rotina, cansaço, obrigação.
Há períodos da história em que predomina o lado movimento, em geral menores. Na maior parte do tempo, a instituição é dona do espaço e do pedaço. Mas não há como ser sempre e só movimento. A instituição é fundamental, necessária e insubstituível. A questão: como manter a alegria do namoro? Como renovar-se e renovar a instituição sempre, mesmo as mais pesadas, as seculares, ou as carcomidas pelo tempo?
O problema é quando a instituição, para se manter e perpetuar, justifica os fins pelos meios. Quando a corrupção corrói suas estruturas. Quando as teias da burocracia e o centralismo tomam conta e substituem a democracia. Ou o carguismo, o apego a salários, vantagens, privilégios e ao poder tornam-se centrais e conduzem a instituição. Há incapacidade de autorrenovação. O lado movimento perdeu-se em alguma esquina da história.
O cientista político Marcos Nobre escreveu interessante artigo a respeito, falando dos partidos (Marcos Nobre, O futuro dos partidos, Valor Econômico, 3, 4 e 5/12/16, A8): “Pode parecer ficção científica para quem se tornou adulto a partir da década de 1990, mas no Brasil partidos já estiveram presentes na vida cotidiana das pessoas. Estruturas partidárias chegavam ao nível local, eram espaços abertos à elaboração de experiências e a diferentes formas de organização coletiva de ações e intervenções. Hoje, os partidos não estão mais no cotidiano das pessoas. Partidos deixaram de ser braços da sociedade no sistema político para se tornarem braços do Estado na sociedade. Partido passou a ser sinônimo de partido no poder.”
Os partidos políticos, especialmente os de esquerda, perderam o lado movimento, e tornaram-se quase apenas instituição. Institucionalizaram-se, disputam eleições, ganham/perdem. Saíram das ruas, o projeto de sociedade tornou-se secundário. Para disputar eleições, precisa-se de dinheiro, que precisa de estrutura e meios para ser angariado. Ganhando eleições, governos, mandatos, cargos e suas benesses precisam ter assegurado continuidade. As direções ‘obrigam-se’ a manter os espaços conquistados, há crescente dificuldade de ouvir e dar espaço à base, etc., etc., etc.
A reflexão serve também para movimentos populares, pastorais, igrejas, ONGs. Serve também para mim, militante, educador/a popular, lutador/a.
Onde está o sonho? Onde está a relação cotidiana com o povo? Onde está a militância com causa e coragem? Cadê a utopia? Como manter a chama acesa?
Os partidos, e a política em sentido mais amplo, muitas vezes deixaram de ser necessários. Pouco ouvem, pouco dialogam. Neste contexto, escreve Marcos Nobre: “É aí que secundaristas ocupam escolas, por exemplo. Para fazê-las funcionar. Não querem nem ouvir falar de partidos.” Os estudantes que ocupam escolas, Institutos Federais, Universidades são fundamentalmente movimento. Encontram-se, lutam e sonham juntos, constroem a ocupação todos os dias e o tempo todo.
Os tempos precisam ser de reinvenção, de reencanto. Os tempos são de mais movimento e de menos instituição. A democracia exige, nesta quadra histórica, que o lado movimento se (re)apresente e que, para sua construção permanente, o lado instituição seja diminuído ou profundamente renovado, e, eventualmente, em alguns casos, algumas instituições sejam até mesmo enterradas.
Vale para a vida pessoal de cada um, vale para a comunidade, vale para o movimento social, vale para os partidos políticos. Menos instituição, mais movimento.
Selvino Heck
Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)


Em nove de dezembro de dois mil e dezesseis

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