09/06/2014 09:07
*Por Grupo de Trabalho nacional da DS
O
documento recentemente aprovado pela Executiva Nacional do PT, “UM NOVO
CICLO DE MUDANÇAS. DILMA ROUSSEF PRESIDENTE 2015/2018. DIRETRIZES DE
PROGRAMA DE GOVERNO”, resultado dos debates dos 14o Encontro Nacional do partido, é sem dúvida uma das resoluções políticas mais importantes dos últimos anos.
“Diretrizes”
abre um novo período estratégico da luta política no nosso país. Pela
primeira vez, os temas do Estado e sua democratização encontram-se no
centro da intervenção política eleitoral e deverão orientar a atuação do
nosso governo e nossas bancadas parlamentares no período 2015-18.
Parte da seguinte constatação:
“As
eleições de 2014 estão marcadas pelo apoio popular às mudanças
realizadas pelos governos Lula e Dilma e, de outro lado, por um desejo
cada vez mais generalizado em favor de um novo ciclo de mudanças”.
É
o partido sintonizado com o espírito das mobilizações populares de
junho 2013 e com o sentimento da opinião pública. É importante lembrar
que, à diferença de praticamente todos os outros países onde houve no
período recente mobilizações sociais-políticas, somente no Brasil a
presidência da República reconheceu a legitimidade dos protestos e
reivindicações e propôs cinco compromissos em resposta concreta às
demandas do povo nas ruas. O fez malgrado a manipulação comunicacional
da direita, que tentou jogar os manifestantes contra o PT e seu governo.
Essa
reação da presidenta Dilma marca ao mesmo tempo dois fatos
fundamentais: o respeito ao povo mobilizado; mas, também uma
convergência de opiniões entre “as ruas” e o governo sobre o fato de que
há limites impostos pelo status quo institucional conservador,
contexto no qual o PT governou desde 2003. Consideramos que há condições
de superá-los. Junho de 2013 mostrou isso.
“Este
novo ciclo de mudanças se tornou viável e necessário a partir da grande
transformação em curso durante os governos Lula e Dilma. Logo, a defesa
das conquistas efetuadas desde 2003 deve ser feita e tratada como
plataforma para um novo ciclo de mudanças.
Para
tal, o PT propõe um programa de reformas estruturais, ampliando a
democracia e os direitos públicos, promovendo um novo período de
desenvolvimento sustentável e crescimento econômico, distribuição de
renda e luta contra as desigualdades sociais e regionais”.
É
exatamente esse o ponto. O descontentamento popular detectou aquilo que
nossas análises também dizem: para a continuidade e aprofundamento do
projeto democrático-popular de inclusão social, redistribuição da renda e
da riqueza, há um deficit democrático no Estado brasileiro. Somente a
ampliação da democracia pode liberar forças necessárias para um novo
ciclo de avanços sociais e econômicos.
São tempos de revolução democrática!
“As
políticas sociais adotadas pelos governos Lula e Dilma constituíram,
antes de tudo, uma decisão política reconhecendo direitos que vinham
sendo subtraídos a dezenas de milhões de compatriotas, antes excluídos
econômica, social, cultural e politicamente. Não foram “favores”
concedidos aos setores mais postergados da sociedade, como gostam de
proclamar vozes das oposições. Nem se trataram de políticas pontuais de
“compensação social”, como concebe o receituário neoliberal.
As
justas demandas populares foram traduzidas em políticas públicas. Mas a
sociedade brasileira não se acomodou com o conquistado. Ao contrário. A
mudança das condições de vida de milhões de homens e mulheres permitiu o
ingresso na esfera pública de novos contingentes sociais, conscientes
do papel central que lhes cabe na transformação do país”.
Porque
as políticas sociais e econômicas dos nossos governos têm um caráter
emancipador e não clientelista, porque tem melhorado no mercado de
trabalho a posição da classe trabalhadora frente ao capital, porque
aumentou a autoestima das pessoas sabendo que podem melhorar social e
economicamente na vida, é que temos hoje a pressão para ir mais longe. E
para isso serão necessárias reformas estruturais, que o atual status
quo bloqueia.
“Em
certa medida, foram as conquistas alcançadas que embasaram o desejo de
mais conquistas, através de melhores serviços de saúde, educação de
qualidade, condições dignas de habitação e transporte nas cidades
brasileiras, mais segurança; foi o acesso à cidadania real que
fortaleceu o desejo de mais transparência e democracia.
As
manifestações de 2013 e a vontade de mudança que as pesquisas apontam
nos dias de hoje são expressões da saudável metamorfose pela qual o país
vem passando. Apontando, especialmente, a necessidade de ampliar as
políticas relacionadas com 50 milhões de jovens brasileiros e
brasileiras”.
Boa
parte da população não tem mais como seu parâmetro as mazelas do
neoliberalismo tucano, porque toda sua vida com consciência e
participação política já se deu sob nossos governos e esse novo cenário.
Daí a necessidade de lembrar o que prometem de verdade as candidaturas
neoliberais de Aécio e Campos (https://www.youtube.com/watch?v=c2GDQYO2xbg).
Necessária, mas insuficiente essa lembrança. Porque nossa militância e
nossa base social, como sempre ao longo de mais de três décadas, se
nutre de esperanças de futuro.
A
grande transformação realizada pelos nossos governos foi torcer o
capitalismo periférico dependente marcado pela exclusão social, a
desigualdade e miséria e conduzir o país a outra formação
social-econômica onde o crescimento foi alavancado pela distribuição da
renda, o fortalecimento dos salários e do emprego, pela promoção da
agricultura familiar, a integração regional com um sentido marcadamente
anti-imperialista. Tudo isso na conjuntura da maior crise capitalista
mundial desde 1929!
Essa
grande transformação não se fez sem luta. Os capitais internacionais e
“os mercados” têm buscado bloquear políticas. A torcida conservadora
para o fracasso tem sido imensa e a deturpação dos fatos ampla, geral e
irrestrita ao ponto que a velha mídia substituiu os partidos da direita
na condução da política conservadora.
Nessa quadra da história a percepção da população é:
“Importantes
segmentos da sociedade enxergam as instituições como muito distantes e
marcadas pela corrupção. Consideram a Justiça lenta e elitista.
Sentem-se pouco representados pelos Legislativos. Consideram os
Executivos prisioneiros da burocracia e de entraves legais que
dificultam resolver, com mais rapidez, problemas que se arrastam há
décadas”.
O
grande desafio é transformar em mudança a inquietação popular com as
instituições de uma democracia limitada e deformada. Precisamos evitar
que siga o caminho da abstenção e rejeição à política como protesto.
Temos
que denunciar a grande armadilha conservadora: chamar de democracia
regras do jogo viciadas que obrigam às forças progressistas que acedem
ao governo a exercer seus mandatos de forma tutelada, pelo mercado e
pelas instituições conservadoras. Um regime assim que não dá vazão aos
anseios populares por mudança, desmoraliza a democracia. A acomodação da
esquerda a esse status quo a desmoralizaria junto.
“A
defesa de um segundo mandato presidencial da Presidenta Dilma, que
continue mudando o Brasil, inclui reconhecer que continuam postas as
tarefas de superar a herança maldita proveniente da ditadura militar, do
desenvolvimentismo conservador, da devastação neoliberal, da ditadura
do capital financeiro e monopolista sobre a economia, da lógica do
Estado mínimo.
Para
continuar democratizando o país, ampliando o bem-estar social e
trilhando um caminho democrático-popular de desenvolvimento sustentável,
defendemos um conjunto de mudanças estruturais, entre as quais a
reforma agrária e a reforma urbana, a reforma política e a
democratização dos meios de comunicação, a reforma tributária e a
ampliação dos direitos públicos universais, aprofundar a soberania
nacional, a integração latino-americana e caribenha e nossa participação
nos BRICS como parte da construção de uma nova ordem mundial”.
Para
continuar melhorando as condições de vida das amplas maiorias é
necessário realizar reformas estruturais profundas. Não basta uma boa
gestão administrativa. Por isso, “Diretrizes” aponta para duas
iniciativas que devem ser centrais para aprofundar a democracia
política:
“Reforma política
A
reforma política é a mãe de todas as reformas. Sua realização corrigirá
as profundas distorções que marcam nosso sistema representativo e o
funcionamento dos poderes da República, permitindo uma maior
participação da sociedade na formulação e controle das políticas
públicas, fortalecendo a dimensão republicana e laica do Estado
brasileiro, corrigindo a sub-representação de mulheres, negros, jovens e
trabalhadores na composição atual do Congresso Nacional.
Uma
Constituinte Exclusiva para a reforma política eliminará o
financiamento empresarial privado nos processos eleitorais, que
constitui uma das fontes da corrupção sistêmica que afeta o
funcionamento de nosso sistema republicano”.
“Democracia na comunicação
A
democratização da sociedade brasileira exige que todas e todos possam
exercer plenamente a mais ampla e irrestrita liberdade de expressão, o
que passa pela regulação dos meios de comunicação – impedindo práticas
monopolistas – sem que isso implique em qualquer forma de censura,
limitação ou controle de conteúdos.
Uma
nova regulação dos meios de comunicação deve proteger e promover os
direitos humanos e combater os monopólios, atualizando as conquistas
cidadãs da Constituição Federal, regulamentando o que já é previsto na
mesma em relação às rádios e televisão brasileiras.
O
Marco Civil da Internet, ao garantir respeito à privacidade, a
transparência e a neutralidade da rede, foi nossa resposta ao desafio de
preservar a independência deste meio de comunicação, expressa a postura
soberana do Brasil e baliza nossa política de comunicação”.
A
reforma política proposta e a nova regulação da comunicação darão
condições para ampliar a participação democrática das amplas maiorias.
Trata-se de uma revolução democrática porque criará as condições para
que a maioria exerça o poder. Para que o peso eleitoral se traduza em
decisões estratégicas e não sejam esterilizadas por um regime que obriga
a representação das maiorias a se mover em marcos restringidos pela
sobrecapacidade das minorias conservadoras nas instituições do Estado e
na pressão dos mercados.
Uma
pequena amostra do volume histórico do desafio que o Partido lançou com
“Diretrizes” pode se ter com a reação histérica da direita contra o
recente decreto que regulamenta os espaços de participação social, uma
inicial, ainda que importante, medida de avanço da participação popular
na elaboração de políticas públicas. As forças políticas conservadoras e
reacionárias no Brasil são no fundamental antidemocráticas. Vão
batalhar contra o aprofundamento da democracia. A primeira batalha
ocorre em torno à reeleição de Dilma. Somente nossa vitória vai poder
responder os anseios que se expressaram em junho 2013 e que detectam as
pesquisas de opinião.
Dilma 2015-2018 por um novo ciclo de mudanças!
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