Nelson Gröhs
Em 10/03/2014
Grupos reacionários comemorarão os 50 anos do Golpe militar de 64 que depôs o Presidente Eleito João Goulart. Em São Paulo, por exemplo acontecerá a “Marcha da Família”. Nos quarteis da mesma forma será comemorada fatídica data.
Em resposta a estas movimentações os movimentos populares e sindicais paulistas preparam-se da mesma forma para realizações de atos Ditadura Nunca Mais - 50 anos do Golpe Militar.
A intenção dos manifestantes é justamente rechaçar e condenar as atrocidades cometidas do governo ditatorial instaurado no País em 64, que matou pelo menos 379 brasileiros, torturou, estuprou outras centenas nos aparelhos da ditadura espalhados pelo Brasil.
Organizado pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, a marcha pela democracia está sendo convocada para o dia 31 de março, às 10h00, no pátio externo do prédio onde funcionou o antigo DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), na Rua Tutóia, nº 92.
A data escolhida é a mesma que há cinquenta anos iniciou-se a chamada “Revolução de 1 de Abril”, piada com o Dia da Mentira.
Mas muito mais que reafirmar a nossa democracia, o ato “Ditadura Nunca Mais” quer condenar as práticas de violência exercida pela Polícia Militar em São Paulo e em diversas capitais do País:
“As práticas de repressão e de violência de Estado que marcaram o período autoritário ainda permanecem ocorrendo contra a população pobre e negra da periferia, bem como contra as manifestações populares que têm sido realizadas e todo o país. Diante desse cenário de continuidade das violações de direitos humanos, diversas organizações da sociedade civil e Comissões da Verdade estão construindo um ato político-cultural unificado para marcar essa lamentável efeméride e exigir a punição dos torturadores, assassinos e ocultadores de cadáveres da ditadura e da democracia”, diz o texto publicado pela comissão paulista convocando o ato.
Além da Comissão Rubem Paiva, já apoiaram o ato o Centro Acadêmico XI de Agosto – da Faculdade de Direito da USP, o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo – CRP/SP, o Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, entre outras importantes entidades.
Zelar pela Democracia e pelo Estado de Direito é nosso dever como cidadão, para que esses atos tão cruéis não se repitam nunca mais no Brasil. Só quem não passou os horrores da tortura e da censura em família pode imaginar que ainda há espaço para um novo golpe no Brasil.
Assim como propagar idéias nazistas virou crime em todo o mundo, inclusive na Alemanha, apologia à ditadura deveria ser da mesma forma criminalizada, principalmente se esta for feita por servidores civis ou militares.
Quem sabe o cheiro de carniça dos ventos pestilentos de 64, acordem nosso Congresso e nossos parlamentares criem uma lei que transforme em crime a apologia a golpes de estado, sejam civis ou militares.
Sapucaia do Sul, 10 de março de 2014.

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