O PT E AS ELEIÇÕES 2012: UM BALANÇO E
FUTURO
O
crescimento do PT tem paralelo com a primeira experiência de
pluripartidarismo vivida no Brasil entre 1945 e 1965, ou seja, do fim
do Estado Novo até o Golpe Militar e o Ato Institucional que proibiu
os partidos existentes e forçou o bipartidarismo consentido da Arena
e MDB. Ao longo dessas duas décadas, acompanhando o processo de
urbanização e da emergência da participação popular na vida
política do país, o PTB de Vargas, Goulart e Brizola foi a
agremiação política que mais cresceu, no contraponto ao declínio
do centrista e conservador PSD e da liberal UDN. Esse crescimento foi
interrompido com o golpe militar. Inclusive, o avanço do trabalhismo
foi uma das razões da ação golpista em 64.
No
caso atual, já atingimos 32 anos de história e o ciclo virtuoso de
crescimento consolidou-se com as vitórias de Lula e Dilma. Somos o
Partido com a maior bancada federal (88 deputados/as) e a maior
bancada estadual (149 deputados/as eleitos em 2010). Nesse
crescimento não há uma linearidade constante, pois sem uma reforma
política que melhore nosso sistema eleitoral (voto em lista,
financiamento público, etc) começaremos a patinar e seremos
derrotados pelo predomínio do poder econômico nos processos
eleitorais. Um dado muito simples, mas inquestionável, é a
performance na última década. Em 2002, na primeira eleição de
Lula, elegemos 91 deputados (as) federais, em 2010, após Lula e com
a vitória da Dilma, elegemos 88 deputados (as) federais. Nada é tão
ilustrador quanto esses números para demonstrar o peso do poder
econômico e a força do voto nominal e do financiamento privado na
determinação dos resultados. Na atual legislatura (2011/2014) 70%
dos deputados (as) federais eleitos estavam entre as 513 campanhas
mais caras dos vários Estados.
AS ELEIÇÕES EM 2012
Diante
dessa avaliação, evidencia-se a importância das eleições
municipais deste ano para garantir e ampliar os espaços conquistados
em prefeituras e câmaras municipais, bem como no crescimento
partidário.
O
4º Congresso aprovou que 2012 seria um ano de fortalecimento do
Partido, de crescimento e busca de hegemonia. As eleições
municipais nos permitiriam mais espaço próprio do que em 2010,
quando a eleição presidencial com Dilma nos condicionou a
necessidade de uma política de alianças mais ampla e apoio aos
aliados em vários Estados.
Mesmo
não conseguindo materializar essa política do 4º Congresso
plenamente, os números são significativos e mostram uma forte
presença no país.
Em
17 capitais somos cabeça de chapa majoritária (Belém, Recife,
Teresina, Campo Grande, Natal, Rio Branco, Belo Horizonte, Cuiabá,
João Pessoa, Porto Alegre, São Paulo, Porto Velho, São Luis,
Goiânia, Fortaleza, Salvador e Vitória), sendo que nas 5 primeiras
também com Vice do PT e nas outras 12 com outros partidos na Vice.
Em outras 6 capitais (Florianópolis, Aracaju, Curitiba, Manaus, Rio
de Janeiro e Macapá) indicamos o Vice-Prefeito e em apenas 3
capitais apoiamos outros Partidos (Maceió, Palmas e Boa Vista) na
chapa majoritária.
Outra
prioridade aprovada no 4º Congresso foi o foco nas grandes e médias
cidades do país com mais de 150.000 eleitores que no conjunto
representam a maioria esmagadora da população do país e concentram
os principais meios de comunicação, em especial, rádio e TV.
Neste
caso, a performance do PT também é considerável. Lançamos
candidatos a prefeito (a) em 64 cidades com mais de 150.000 mil
eleitores. Se somarmos a este contingente as 17 capitais onde temos
candidato, disputamos em 81 municípios, de um total de 118
municípios com essas características.
A
presença do Partido cresceu, também, nos municípios entre 30.000 e
150.000 mil eleitores. Nestes, estaremos presentes na chapa
majoritária, prefeito (260) e vice (140), ampliando o enraizamento
do PT nos pequenos e médios municípios do país.
No
Rio Grande do Sul, realizamos um grande esforço para alcançar esses
objetivos definidos no 4º Congresso. Antecipamos o Encontro
Estadual, orientamos uma política de alianças com uma prioridade
sintonizada com a base aliada do governo Tarso Genro e
produzimos uma orientação programática que circulou em todo o
Estado desde o final de 2011. Essa orientação é fruto da nossa
experiência de governo e nosso norte programático estratégico e
deve ser o centro das nossas propostas e servir de base para nossas
alianças. É o “Modo Petista de Governar” que estamos
construindo há anos com nossas práticas coletivas de gestão.
São
59 municípios com chapa do PT para prefeito (a) e vice e 139
municípios onde temos o prefeito (a) do PT e o vice de outros
partidos aliados. São quase 200 municípios com cabeça de chapa e
aí estão quase todos os maiores municípios do Estado. Temos a
candidatura a vice-prefeito (a) em mais de 125 municipalidades, o que
perfaz 323 municípios. Isso alcança mais de 85% do eleitorado
gaúcho. Estamos presentes, ainda, em mais de 132 municípios onde
estamos coligados para o Legislativo e em apoio a chapas majoritárias
de outros Partidos.
Esse
quadro expressa o crescimento do PT no Rio Grande do Sul e é base e
garantia para novos embates. Quando definimos a prioridade de
candidaturas próprias, muitas vezes não compreendida ou contestada
pelo pragmatismo eleitoral em muitos municípios, é porque nossa
experiência e convicção de futuro já nos ensinou que o processo
eleitoral não é só resultado em cargos ou espaços de governo.
Nosso crescimento e importância medem-se, também, pelas novas
filiações e engajamento de novos militantes, pelos espaços
construídos na sociedade civil e na construção de novas lideranças
sociais e, especialmente, na construção de nova hegemonia
político-programática onde estamos presentes.
Sem
a difusão permanente de sua ideologia, sem discurso que globalize
nossa prática política, sem horizonte de futuro e esperança de
mudança, nenhum partido do campo socialista está imune a se
transformar em mais um partido da ordem, do conservadorismo.
Por
isso, temos insistido de que não estamos apenas numa disputa
municipal, mas somos portadores de um projeto nacional, que se
expressa no governo Dilma e no governo Tarso e isso deve estar sempre
presente em nossa mensagem e em nossas propostas.
Esperamos
que esses números e essa reflexão nos deem, objetivamente, a
dimensão da nossa história e das tarefas que temos pela frente.
Por
mais uma grande vitória em 2012.
Raul Pont
Presidente do PT/RS
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